quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A volta ao mundo por Fernando Meirelles



360, escrito por Peter Morgan e dirigido por Fernando Meirelles, é mais do que uma colcha de retalhos desconexos, é uma corrente com elos bem conectados, mas não necessariamente fortes

O filme começa com duas perguntas que sempre ocorrem a todas as pessoas: como cheguei até aqui? Teria minha vida sido diferente se eu, ou qualquer uma das pessoas a minha volta, tivesse feito outras escolhas? Quem se pergunta isso é Mirka (Lucia Siposová), uma jovem eslovaca que acaba de se tornar uma garota de programa de luxo, adotando o nome de Blanka. Saindo de Bratislava para encontrar seus clientes em Viena, ela vai sempre acompanhada pela irmã, a meiga Anna (Gabriela Marcinkova).

Blanka vai até o bar de um luxuoso hotel para se encontrar com seu primeiro cliente, Michael Daly (Jude Law). Interceptado por dois homens com quem negociava um acordo para sua empresa, Michael não consegue se encontrar com ela. A partir desse desencontro, surge uma série de ações e reações que movem a vida dos diversos personagens do filme, cada situação ligando-se à seguinte como os elos de uma corrente. 
Jude Law como Michael Daly e Rachel Weisz como sua esposa, Rose  

 Vidas interligadas.

Consegui contar pelo menos oito relacionamentos-chave, oito núcleos em torno dos quais a história se desenvolve. Isso que 360 tem pouco mais de uma hora e meia de duração. Trabalhar com uma quantidade tão grande de personagens e histórias em tão pouco tempo não é tarefa fácil. Meirelles consegue, com sua direção delicada, mas decidida, captar as nuances e as fragilidades desses personagens que passam tão rapidamente pela tela. 

Com a escassez de tempo, os personagens passam a ser resumidos simplesmente ao trauma psicológico ou à experiência mais marcante de suas vidas. O espectador mal o vê na tela e já é apresentado à encruzilhada diante da qual o personagem se encontra. Não há tempo a perder. O problema é apresentado e uma decisão é tomada. Trata-se de um estilo, não necessariamente de um problema, apesar de que algumas histórias geram mais apreensão e envolvimento do que outras. 

360 é um recorte da vida de várias pessoas comuns, e nesse ponto Meirelles é até bastante otimista. A sugestão de que nossa vida depende mais das escolhas e das atitudes de quem está à nossa volta do que gostamos de imaginar é assustadora. Com todo nosso desejo de controlar nosso destino, nos esquecemos o quanto dependemos dos outros, e o quanto os outros dependem de nós. Ainda assim, nem roteirista nem diretor utilizam essa premissa para assustar a audiência (pelo menos não muito). Como eu disse, o filme é até bastante otimista. 


Antonhy Hopkins como John.
 Um filme de muitos sotaques.

Para rodar 360, Fernando Meireles reuniu um elenco multinacional, que inclui desde os britânicos Jude Law e Rachel Weisz, até a eslovaca Lucia Siposová, passando pelos russos Vladimir Vdovichenkov e Dinara Drukarova, pela brasileira Maria Flor e pelo francês Jamel Debbouze, entre outros. É interessante reparar que cada ator interpreta um personagem de sua própria nacionalidade, e quando as conversas convergem ao inglês, a variedade de sotaques enche os ouvidos do espectador. 

No filme de Meireles se ouve eslovaco, português brasileiro, russo, francês, e o idioma que une os personagens, o inglês. O fator idioma, juntamente com as locações em diversas partes do mundo (Viena, Londres, Paris, etc), contribui para aumentar a sensação de encolhimento do mundo que o longa transmite.

domingo, 19 de agosto de 2012

Novela não é Escola


Eu não assisto à novela alguma. O máximo que já acompanhei foi um pouco de Chocolate com Pimenta, Tititi e Roque Santeiro, que passava no “Vale a pena Ver de novo” quando eu tinha onze anos.  A única novela “das nove” que vi um pouco mais do que meio capítulo foi O Clone. Mas as novelas, principalmente as do horário nobre da Rede Globo, sempre encontram um meio de entrar nas nossas vidas.

Nunca assisti a um capítulo sequer de Avenida Brasil, a novela que está no ar, mas sei que a música de abertura é a versão do Latino para “Dança Kuduro”, sei quem é Carminha, Nina, Suelen e companhia. Praticamente toda a minha timeline do twitter acompanha a novela e acaba repassando o que vê. Vejo comentários no facebook e escuto as pessoas à minha volta. Essa inserção da novela no cotidiano é uma realidade que nós brasileiros vivemos há décadas. A força da novela é tanta que, em plena era da TV a cabo e da internet, Avenida Brasil está atingindo picos de audiência de 45 pontos na grande São Paulo. 

Discutir as causas de tamanho sucesso, contudo, não é o objetivo deste texto. Meu comentário aqui se relaciona a um tema que vem me perturbando há algum tempo: como a novela virou uma espécie de escola para o povo brasileiro.

Muitas das novelas da Rede Globo, especialmente as de horário nobre, adotam alguma abordagem social, uma bandeira que defendem, como a leucemia de Camila (Carolina Dieckman) em Laços de Família, que foi utilizada para uma campanha de doação de medula óssea, a viciada Mel (Débora Falabela), que foi o exemplo da campanha antidrogas de O Clone, e o caso de Tarso (Bruno Gagliasso) em Caminho das Índias, personagem que ilustrava uma campanha de conscientização sobre a esquizofrenia. Isso só para citar alguns dos casos que ficaram mais marcados. Essas campanhas são um exemplo de serviço de utilidade pública que a novela pode exercer para o bem da sociedade. Esses “personagens-exemplo” muitas vezes ajudam a alertar às pessoas para problemas para os quais muitos viram às costas. Utilizar-se de alguns exemplos para o bem comum, contudo, é diferente de confundir o papel da novela. Novela não serve para educar, serve para entreter.

De novo: nunca assisti Avenida Brasil, mas vi comentários indignados sobre uma cena em que Suelen (Ísis Valverde) seduz o marido Roni (Daniel Rocha), um rapaz que esconde sua homossexualidade. A cena gerou repercussão, principalmente, por implicar que a homossexualidade pode ser curada, ou que a causa da homossexualidade seria a falta de uma boa mulher. É claro que isso é um absurdo. Um homem é homossexual porque é homossexual, ponto. E Suelen fez o que fez porque é uma personagem. Sim, é horrível saber que existem pessoas como Suelen. Ou o que é pior, que existam homens como Suelen, que acreditam que as mulheres homossexuais são assim por falta de um bom homem. Poucas idéias são mais repudiáveis do que esta. Não estou defendendo aqui a atitude, mas a liberdade de mostrá-la na televisão.

Em Avenida Brasil, Suelen faz de tudo para seduzir o homossexual Roni
A novela é uma obra de ficção, que contém um enredo e personagens, e personagens tem defeitos, muito mais do que tem qualidades. É dever do espectador diferenciar as coisas, não se deixar influenciar pelo que vê. Muitos brasileiros são influenciados pelas novelas ao ponto de se deixarem “educar” por elas, mas seria isso culpa da novela, ou da estrutura educacional do país?

O Brasil ainda tem muito que avançar em relação ao respeito aos homossexuais, e a novela poderia ajudar com isso, como já ajudou em outros assuntos. Não é, contudo, dever da novela fazer isso. Se nosso sistema educacional fosse um pouco melhor, as pessoas entenderiam que a novela é uma obra de ficção, como um livro ou filme (e muitas vezes vemos atitudes muito piores do que as de Suelen em livros e filmes), assistiriam ao enredo e saberiam filtrar o que é bom e o que não é.

Observando pela ótica da responsabilidade social que a novela adquiriu por sua influência na vida dos brasileiros, seria de se esperar que seus roteiristas fizessem escolhas mais positivas para seus enredos, mas aí também teríamos que parar com as maldades de Carminha e com a vingança de Nina, e assim a novela talvez se tornasse uma festa de unicórnios em um arco-íris cor-de-rosa. E nenhuma obra de ficção – bem como o mundo – é assim. 

Outro exemplo é a cena que foi ao ar recentemente em Gabriela, em que Jesuíno (José Wilker) mata a esposa e o amante ao flagrá-los juntos. Houve protestos indignados contra a Globo por mostrar uma cena tão contrária aos direitos das mulheres. O que deveria indignar as pessoas é o ato do personagem, não o fato de ele estar na tela da TV.

Em Gabriela, Jesuíno assassina a mulher por encontrá-la com o amante.
No meu Brasil perfeito, todas as pessoas que assistissem a essas cenas se indignariam com a atitude desses personagens e os repudiariam, sabendo que o que vêem é uma obra de ficção, não um exemplo a ser seguido. Isso é um futuro que eu sei que chegará, mas que já deveríamos estar construindo, ao invés de perder tempo acusando autores de ficção disso ou daquilo.

Enquanto continuarmos a assistir – e a aplaudir – a seriados e filmes violentíssimos e politicamente incorretos na TV a cabo, sem, contudo, tolerar a mesma liberdade criativa na TV aberta, seremos eternos hipócritas. Bem como ao continuar a confiar o papel da educação e da formação de opinião - aspectos que devem ser formados por escolas, famílias e livros - quase que exclusivamente às novelas.  Novela não é escola, novela é ficção. E é uma pena que nem todo mundo saiba distinguir isso. 

sábado, 18 de agosto de 2012

Já começou em Brasília o Festival Varilux de Cinema Francês

Seguindo o sucesso da edição do ano passado, o Festival Varilux de Cinema Francês ampliou seu alcance, e agora chega à 32 cidades brasileiras. Com as datas oficiais de 15 a 23 de agosto, o festival começou em Brasília ontem, dia 17.

Dividindo-se entre salas do Cine Cultura Liberty Mall e do Espaço Itaú de Cinema, o festival traz uma grande variedade de filmes da recente cinematografia francesa, inéditos no Brasil. O grande destaque da programação é o premiado Intocáveis, que já se tornou o filme nacional mais visto da história da França. A história de amizade entre o milionário tetraplégico Philippe (François Cluzet) e seu auxiliar Driss (Omar Sy) rendeu ao ator Omar Sy o César, prêmio mais importante do cinema francês. 

A programação completa do Festival Varilux pode ser encontrada no site oficial do evento. 

Intocáveis: o filme francês mais visto da história chega à Brasília nas telas do Festival Varilux





quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Para Roma com Amor


O Woody Allen safra 2012

Woody Allen é um dos cineastas mais prolíficos da atualidade. A impressionante marca de um filme lançado por ano, contudo, traz consigo o ônus da irregularidade. Se para um cineasta comum, com um lançamento a cada dois ou três anos, já é difícil manter um padrão de bons filmes, com um longa a cada doze meses o risco de cair na mediocridade é muito maior.  

Longe de mim acusar os filmes de Woody Allen de ruins. Quando digo mediocridade, me refiro a uma qualidade mediana, a filmes simpáticos e divertidos, mas que não necessariamente arrebatem a platéia. É exatamente esse o caso de Para Roma com Amor. O “Woody Allen safra 2012” é leve e divertido, mas não tem o mesmo encanto de Meia Noite em Paris, o lançamento do ano passado.

Para Roma com Amor conta quatro histórias simultâneas, que variam de “muito improváveis” a “surreais” e “sobrenaturais”, mas cujo único ponto efetivamente em comum é se passarem na romântica capital italiana. Após a abertura, em que um guarda de trânsito comenta como é capaz de observar as idas e vindas dos habitantes da cidade de cima de seu pequeno pedestal, os personagens começam a serem apresentados ao público.

Quatro linhas narrativas, nenhuma correlação.

 Hayley (Alison Pill), uma americana em visita à cidade, conhece Michelangelo (Flavio Parenti), um charmoso italiano por quem se apaixona. Por ocasião de seu noivado, seus pais, Jerry (Woody Allen) e Phyllis (Judi Daves), viajam a Roma. Jerry, no melhor estilo neurótico Woody-Allenístico, descobre logo de inicio que o futuro genro, um advogado trabalhista e entusiasta da organização sindical, tem idéias totalmente opostas às suas. A maior surpresa, porém, surge do pai do rapaz, Giancarlo (Fabio Armiliato). E nesse ponto o talento de Woody Allen de fazer comédia com o absurdo entra em ação.

Woody Allen volta a atuar em um filme seu. 

Em outra história, um cidadão de classe média comum, com um emprego entediante em que é constantemente ignorado, se torna uma celebridade justamente por ser quem é. Da noite para o dia, todos querem saber o que Leopoldo (Roberto Benigni) comeu no café-da-manhã, se ele acha que vai chover e como ele faz a barba. A princípio assustado, ele logo passa a aproveitar a fama, ganhando convites para o tapete vermelho de prémières de grandes filmes, saindo com modelos e recebendo uma atenção que nunca antes recebera.  Ninguém, nem mesmo Leopoldo, sabe por quê ele é famoso, mas todos o adoram. Não se pode esquecer, contudo, que a fama que chega subitamente também se vai subitamente...

Um casal recém-casado, Milly (Alessandra Mastronardi) e Antonio (Alessandro Tiberi), chega à Roma para começar uma vida nova. Antonio tem a possibilidade de conseguir um bom emprego por meio de seus tios, senhores e senhoras de mais idade bem sucedidos na sociedade romana. Suas esperanças se vêem diminuídas quando sua esposa desaparece e a prostituta Anna (Penélope Cruz) entra por engano em sua vida.

Por último, um toque sobrenatural na história. John (Alec Baldwin), um arquiteto em visita a Roma, vai até a rua em que costumava morar em seu tempo de estudante. Lá, ele conhece Jack (Jesse Eisenberg), um empolgado estudante de arquitetura, e a conexão entre os dois é instantânea. Ao entrar na vida de Jack, John se torna uma espécie de conselheiro, sempre por perto nas mais diversas e inesperadas situações. No final, fica aquela dúvidazinha, aquele gostinho no fundo da garganta de “o que foi que aconteceu mesmo?”. Típico Woody Allen.

Penélope Cruz em cena ao lado de Alessandro Tiberi.
Bom sem chegar a excepcional. 

Para Roma com Amor no final das contas é isso: típico de Woody Allen. Apesar dos personagens divertidos, faltou um pouco de impacto para tornar o filme excepcional. Grandes atores, como Alec Baldwin e a própria Penélope Cruz, não atingem seus máximos no filme. Em um papel bastante cômico, mas sem brilho, Cruz não chega nem aos pés do excelente trabalho que realizou em Vicky Christina Barcelona. E a culpa disso é mais da construção da personagem do que de sua atuação. E o mesmo acontece a Baldwin.

Em compensação, Ellen Page no papel da avoada atriz Monica, e Roberto Benigni como o perdido Leopoldo estão fantásticos. E o próprio Woody Allen arranca várias risadas com seu já bem conhecido personagem neurótico. 


Ficha Técnica

Título: Para Roma com Amor (To Rome with Love)

Direção: Woody Allen 

Roteiro: Woody Allen

Ano: 2012

Elenco: Woody Allen, Penélope Cruz, Alec Baldwin, Jesse Eisenbrg, Ellen Page. 

domingo, 22 de julho de 2012

BIFF, Retrospectiva Anna Karina – A Religiosa

Filme dirigido por Jacues Rivette, com roteiro adaptado da obra homônima do enciclopedista Denis Diderot, publicada em 1796. Anna Karina interpreta Suzanne, uma moça trancada em um convento contra a sua vontade.

Os créditos de abertura explicam o contexto histórico do livro. Na França de finais do século XVIII, o convento era o destino de muitas jovens sem vocação. Enviadas pelos pais seja para manterem-se virgens até o casamento, seja para não serem uma despesa a mais na casa, as moças não tinham controle algum de seu destino.

A entrada no convento e a resignação.

Suzanne (Anna Karina) é a mais nova de três irmãs. Com as duas mais velhas já casadas, o pai se recusa a gastar dinheiro com o casamento da caçula, e a manda para o convento. A mãe de Suzanne, Madame Simonin (Christiane Lénier), revela a filha que seu pai verdadeiro não é o marido, sendo ela fruto do pecado do adultério. Assim, a mãe lhe pede que a filha “ajude-a a expiar seu pecado”, tornando-se uma boa freira. A jovem ainda é alertada de que não tem direito a herança e que as irmãs não lhe darão nada, pois já são casadas e tem seus próprios filhos para cuidar.

Apesar da já conhecida falta de liberdade das mulheres na época, o egoísmo demonstrado por aqueles que mandam Suzanne para o convento é impressionante. O pai só pensa nas despesas que a filha gera e a mãe a vê como bode expiatório para seu pecado. Na primeira vez que vai proclamar seus votos, Suzanne grita a todos que está ali contra a sua vontade e volta para a casa, mas, sem escolha, acaba mandada novamente para o convento.

Suzanne se prepara para proclamar seus votos.

A primeira Madre Superiora que a recebe é gentil como uma mãe. A consola de uma maneira bastante melodramática e a apóia até a confirmação de seus votos. Resignada, Suzanne passa de noviça à freira, mas afirma não ter lembrança alguma da cerimônia, não tendo agido de livre e espontânea vontade.

As provações de Suzanne

A obrigação de tornar-se freira contra a sua vontade não é a única dificuldade que Suzanne enfrenta. As injustiças que sofre representam as críticas de Diderot à Igreja Católica, mas também podem ser interpretadas como uma crítica à configuração de uma sociedade em que a mulheres sem meios financeiros estão à mercê dos mais fortes.

Após a morte da primeira, uma nova Madre Superiora assume o posto. Ao contrário de amor maternal, a sucessora dispensa a Suzanne apenas antipatia. Assim que encontra um motivo, ela utiliza seus poderes de forma abusiva para humilhar a subordinada. O primeiro “crime” de Suzanne é o de manter uma bíblia pessoal escondida no quarto, o segundo, é a contratação de um advogado para pedir a anulação de seus votos.  Por isso, ela é privada de roupas limpas, de um quarto mobiliado e até mesmo de comida e água. Enfraquecida, suas súplicas quase delirantes por comida são interpretadas como possessão pelo demônio.
É clara a crítica ao fanatismo religioso e ao próprio sistema hierárquico da Igreja, que isolava seus membros e permitia que abusos continuassem até que um julgamento fosse realizado. Um exemplo claro e indignante é a afirmação do advogado de Suzanne de que ele sabe – e não tem como evitar – dos maus-tratos que a jovem sofre nas mãos das companheiras.

Presa no convento contra a sua vontade, Suzanne luta pela liberdade. 

Após ser absolvida das acusações de descumprimento das regras do convento, Suzanne tem a anulação dos votos negada, mas lhe é permitido que mude de ordem. Ela é recebida com alegria e curiosidade pelas novas irmãs, sobretudo pela Madre Superiora. O clima no novo convento é exatamente oposto ao anterior: em lugar de simplicidade e austeridade, as freiras riem como adolescentes e gozam de certos luxos, ostentando inclusive jóias. A principal incentivadora do comportamento relapso das irmãs é a Madre Superiora, que passa a assediar Suzanne. Sem poder agüentar mais, ela foge do convento, apenas para descobrir que o mundo do lado de fora, aquele que tanto sonhou em conhecer, não é nada acolhedor.

As críticas de Diderot .

As críticas elaboradas pelo autor e transmitidas pelo filme muitas. Críticas à Suzanne, que é a representação da mulher da época, sem estudo, ingênua e ignorante, incapaz de sobreviver no mundo sem a tutela dos pais, do marido ou das irmãs do convento.  À sociedade da época, que tratava essas mulheres como objeto e não lhes dava o menor espaço. Por fim, sua crítica mais forte é ao sistema de claustro a que estão submetidas às mulheres no convento. Praticamente excluídas de qualquer contato externo, muitas delas sem vocação, seus pensamentos e ações variam do fanatismo religioso ao desejo lésbico.

Apesar de tudo isso, não se percebe um ataque direto à fé, mas sim ao que os homens fazem dela: instrumento, desculpa, justificativa para os piores atos.


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Começa nessa semana o Brasília International Film Festival (BIFF)


O Festival Internacional de Cinema de Brasília, com nomes tanto em inglês quanto em português, terá inicio nesta quinta-feira, dia 12. Para a cerimônia de abertura, que será realizada na sala Alberto Nepomuceno no Teatro Nacional, foram disponibilizados ao público 450 ingressos gratuitos, esgotados logo no primeiro dia.

Representando um esforço para recolocar a cidade na rota dos grandes festivais de cinema, o BIFF traz, de 12 a 22 de Julho, seis mostras além da competitiva, são elas: O Novo Cinema Europeu, Panorama África, Independentes Americanos, Cara Latina, Mundo Animado e Retrospectiva Ana Karina. As sessões exibidas no Cine Cultura custarão 16,00 reais a inteira e 8,00 a meia entrada. Sessões exibidas na sala Alberto Nepomuceno no Teatro Nacional terão entrada franca.

Infelizmente, o site oficial não contém tantas informações quanto a página no facebook, o que atrapalha a obtenção de informações. Apesar desses detalhes, a iniciativa da criação do festival é excelente. Após a extinção do antigo FIC, espera-se que o novo BIFF esteja realmente chegando para ficar, que faça sucesso e que evolua a um festival inteiramente gratuito. Que não seja apenas uma troca de siglas.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Twixt



Una película escribida y dirigida por Francis Ford Coppola en que el director parece no saber decidir si lleva el horror y el thriller en serio o si hace broma del género.

Twixt presenta muchos elementos considerados clichés en películas de horror: una ciudad pequeña en que los habitantes quieren “ser dejados en paz”, un forastero que llega desavisado y sin sospechar de nada, un terrible asesinato que nunca ha sido resuelto y una niña angelical en el centro del misterio. El resultado, sin embargo, es una película que necesita de más reflexión para ser entendida do que aparenta al primer vistazo.
La película empieza con una narración en off que describe la pequeña ciudad de Swam Valley, y explica la llegada de Hall Baltimore (Val Kimer), un escritor de novelas de misterio y brujería, que está viajando para promocionar su nuevo libro. La narración desaparece y la película pasa a enseñar la historia bajo el punto de vista de Baltimore.

El jerife de la ciudad, Bob LaGrange (Bruce Dern), va a procúralo para hablar de un asesinato en masa que ha ocurrido en la ciudad, y para proponerle que escriban juntos una novela sobre la tragedia. Baltimore no le hace mucho caso, pero le falta inspiración para una nueva obra y él ya no tiene mucho dinero. Así, Baltimore procura al jerife y empieza a tomar conocimiento de lo que ha pasado en la ciudad: el asesinato colectivo de doce niños.

En sus sueños, Baltimore visita al hotel abandonado en que ocurrió el crimen. Él conoce a Virgínia (Elle Fanning), una chica de doce o trece años que le enseña a los niños que fueron muertos por un hombre. Baltimore se envuelve  cada vez más con el misterio, pero la mayor parte de lo que descubre es en sus sueños.

La mescla entre sueño y realidad

Los sueños de Baltimore tienen una atmosfera sombría. Es siempre noche en su subconsciente, una noche oscura que es retratada en blanco y negro en la película, con unos detalles en rojo y amarillo.

Baltimore hace sus investigaciones basándose en lo que ve en sus sueños. Tomando mucho vino y medicinas para dormir, él prefiere el sueño a la realidad, aun que ese sea sombrío. Su realidad, en que su hija ya no está más viva, en que su esposa le pide dinero para pagar las cuentas retrasadas y en que su editor le cobra por la creación de un nuevo libro le parece mucho peor do que un sueño de muerte y horror. Además, el sueño de horror le fascina. La historia de Virgínia y de los otros niños es un misterio digno de novela.

Baltimore (Val Kimer) encuentra a Virgínia (Elle Fanning) en sus sueños.

Lo que Baltimore descubre en sus sueños empieza a hacer sentido en la realidad – ¿o seria la realidad que empieza a influenciar sus sueños?

El jerife empieza a parecerse mucho con el pastor que, en sus sueños, ha matado a los niños por miedo de que se transformasen en vampiros. Bob LaGrange tiene una clara obsesión por vampiros, llegando a hacer una miniatura de un aparato que mete estacas de madera en el corazón de las creaturas. La simulación, dice, es para explicar el asesinato de una chica que todavía tiene su cuerpo en el tanatorio. Su actitud, sin embargo, no deja de ser sospecha.

Los chicos del otro lado del lago.

En la otra margen del lago de Swam Valley hay un acampamiento en que viven unos chicos de estilo gótico. Las personas de la ciudad, especialmente el jerife, se refieren a ellos como malos y adoradores del demonio. Su líder se llama Flamingo (Alden Ehrenreich), un chico callado y misterioso.

Baltimore va a buscarlo para preguntarle acerca de una niña que ha desaparecido. Flamingo le confesa que está preocupado con una niña a que él cuidaba y que no sabe más donde está. Convencido de que Flamingo es un vampiro malo, el jerife lo detiene.

La presencia de Edgar Allan Poe.

En estos sueños, Baltimore conoce al poeta Edgar Allan Poe (Ben Chaplin), que le sirve de guía dentro de su propia imaginación.

Edgar Allan Poe fue un famoso poeta y escritor de cuentos sombríos en los años 1830 -1840. En Twixt hay algunos elementos que se refieren a él. En el hotel en que ocurrió el crimen hay una placa en su homenaje, la personaje Virgínia tiene el mismo nombre y edad de su esposa, que también era su prima, y por fin, Baltimore es también el nombre de la ciudad donde él murió.

El facto de lo asesinato en masa es que un hombre mató a doce niños. Pero es Allan Poe quién rellena los espacios en blanco de la historia. Es él quien primero haz la sugerencia de que  los chicos del otros lado del lago sean vampiros. Esa teoría es después compartida por el jerife, un hombre muy religioso, así como el pastor de la historia. Cuando Baltimore le pregunta se los chicos góticos son malos, Poe le garante que no.

El escritor también sueña con Edgar Allan Poe (Ben Chaplin).

La influencia de una tragedia personal.

La hija de Baltimore tenía también trece años cuando murió en un accidente de barco. Él se siente responsable por haber dejado que ella saliera sola con sus amigos, todos muy jóvenes, en lanchas motoras.

Su hija se llamaba Vicky, y Virgínia le pide que le llame V, una letra genérica que puede hacer referencia a cualquiera de las dos niñas muertas.  Baltimore proyecta una imagen su hija en Virgínia, y la culpa que siente por la muerta de la hija lo hace buscar aun más por el final de la historia.

Twixt: un cambio inesperado.

En la lengua inglesa, Twixt significa “estar por el medio”. También es una palabra utilizada en el proverbio “ There’s many a slip ‘twixt the cup and the lip”, que significa que mismo cuando el resultado de algo parece cierto, las cosas aun pueden salir erradas. (fonte: Wikipedia )

En la película, es eso mismo lo que ocurre. Después de construir una historia entera en la cabeza de Baltimore, Coppola nos enseña que sus sueños no están así tan desconectados de la realidad, y que nada es lo que parece.

Teniendo  algunos buenos momentos de susto y algunas buenas bromas (como la aparatología fija que salta de la boca de Virginia hacia el rostro de Baltimore cuando sus dientes de vampiro crecen), Twixt se presenta como una película confusa, que parece no decidir se es un horror serio o una parodia muy inteligente del género.