Não gosto de deixar o aniversário do blog passar em branco, apesar de ter deixado o ano passado inteiro passar em branco. Acho que escrever é um exercício para o qual eu nem sempre tenho inclinação ou aptidão. Foi bom ter voltado, apesar de ainda estar voltando aos poucos, pulando meses e deixando mais espaços em branco do que preenchidos. Seja como for, parabéns para o Exercine e parabéns para mim que, mesmo com todas as falhas, estou orgulhosa por finalmente poder dizer que mantenho um blog. Nenhuma das minhas outras tentativas durou tanto, e essa está longe do fim.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Clássicos do Cinema - A Marca da Maldade
Orson Welles teve uma passagem conturbada por Hollywood. O controle dos estúdios sobre as produções podava sua criatividade, e muitas de suas inovações eram vistas como estranhas ou desnecessárias pelos executivos. Cidadão Kane (1941) foi o único filme em que o diretor gozou de liberdade criativa plena.
Após completar A Marca da Maldade (Touch of Evil), em 1958, Welles viu sua obra mutilada pelo estúdio, que gravou cenas extras e reeditou o filme, gerando algo completamente diferente do que o diretor pretendia. Em resposta, Welles escreveu um manifesto de mais de cinquenta páginas, descrevendo todas as mudanças que deveriam ser feitas para que o filme voltasse a se encaixar em sua visão. No entanto, a versão do estúdio, que buscava ser a mais comercial possível, prevaleceu. Orson Welles foi atendido apenas quarenta anos depois, quando uma versão restaurada do filme foi feita com base em seu manifesto.
Enredo e temática
A Marca da Maldade se passa na fronteira entre México e Estados Unidos, onde duas cidades fronteiriças se mostram mais semelhantes do que se poderia imaginar. Quando uma bomba plantada em um carro em solo mexicano cruza a fronteira e explode em território estadunidense, vitimando um influente homem de negócios e sua amante, a polícia dos dois países se vê envolvida em uma investigação complicada não apenas por questões de jurisdição, mas pelos métodos e egos dos principais detetives envolvidos, Quinlan (Orson Welles), do lado americano, e Vargas (Charlton Heston), do mexicano.
Os dois detetives são famosos e respeitados em seus respectivos países. Quinlan é reconhecido por ter colocado muitos criminosos no corredor da morte, e por ter "palpites" que frequentemente o colocam na direção dos culpados. Vargas é um policial mais jovem, mas já com um impressionante histórico na divisão de narcóticos da polícia mexicana. Enquanto Quinlan é carrancudo e de aparência quase grotesca (distorcido pela maquiagem pesada de Orson Welles e pelo ângulo contra-plongée em que o personagem foi filmado), Vargas é carismático e atraente. Quinlan age acima da lei, plantando evidências e enquadrando aqueles que considera culpados antes mesmo de ter provas concretas, já Vargas age como um verdadeiro o paladino da justiça e não poderia ser mais diligente em sua busca pela verdade.
As atitudes e aparências dos dois não poderiam ser mais distintas, mas no fundo, ambos são mais parecidos do que gostariam de admitir. Quinlan pode agir de forma ilícita e imoral, mas o faz por perseguir uma boa causa: prender criminosos que, pelo menos em sua percepção, são culpados. Marcado profundamente pela perda de sua mulher - o único homicídio que não conseguiu resolver - e por sua luta contra o alcoolismo, Quinlan é um personagem que sufoca suas fraquezas com brutalidade e autoritarismo. Vargas, por outro lado, se deixa envolver com sua investigação ao ponto de negligenciar sua própria esposa, expondo-a ao tormento de bandidos.
Quando Vargas descobre que Quinlan planta evidências para sustentar seus famosos "palpites" e incriminar quem considera culpado, ele inicia uma busca obsessiva para provar que está certo. A partir do momento em que Vargas estabelece a dúvida sobre a integridade de Quinlan, todos os casos resolvidos pelo detetive americano ficam sob suspeita.
A tênue linha entre o certo e o errado, a dúvida justificada e o ego do justiceiro; estes são temas do filme simbolizados, inclusive, pelo ato tantas vezes repetido de cruzar a fronteira.
Cinematografia do suspense - o famoso plano seqüência de abertura
A Marca da Maldade inicia com um elaborado plano seqüência com mais de dois minutos de duração, em que vemos uma bomba sendo armada e posicionada em um carro, e o trajeto do veículo até o momento da explosão. O carro avança e é detido em diversos momentos, por um guarda de transito, por pedestres que atravessam a rua e até mesmo pela passagem de um rebanho de cabras. O casal de protagonistas, Vargas (Charlton Heston) e Susan (Janet Leigh), caminha na mesma rua, ocasionalmente se aproximando ou se afastando do carro com a bomba, alheios ao perigo. A coreografia da cena, aliada ao fato de ser um plano ininterrupto, ao som ambiente e aos diálogos, cria um clima de suspense único.
Abaixo, a cena de acordo com as especificações do diretor.
A versão original do estúdio inclui os créditos de abertura, pouco som ambiente antes do diálogo entre Vargas e os policiais na fronteira, e uma música não-diegética que distrai o espectador da ação, tudo isso contribuindo para praticamente eliminar o clima de suspense da cena. Não foi à toa que Orson Welles ficou tão irritado com a interferência do estúdio em sua criação.
Abaixo, a versão editada pelo estúdio.
Enredo e temática
A Marca da Maldade se passa na fronteira entre México e Estados Unidos, onde duas cidades fronteiriças se mostram mais semelhantes do que se poderia imaginar. Quando uma bomba plantada em um carro em solo mexicano cruza a fronteira e explode em território estadunidense, vitimando um influente homem de negócios e sua amante, a polícia dos dois países se vê envolvida em uma investigação complicada não apenas por questões de jurisdição, mas pelos métodos e egos dos principais detetives envolvidos, Quinlan (Orson Welles), do lado americano, e Vargas (Charlton Heston), do mexicano.
Os dois detetives são famosos e respeitados em seus respectivos países. Quinlan é reconhecido por ter colocado muitos criminosos no corredor da morte, e por ter "palpites" que frequentemente o colocam na direção dos culpados. Vargas é um policial mais jovem, mas já com um impressionante histórico na divisão de narcóticos da polícia mexicana. Enquanto Quinlan é carrancudo e de aparência quase grotesca (distorcido pela maquiagem pesada de Orson Welles e pelo ângulo contra-plongée em que o personagem foi filmado), Vargas é carismático e atraente. Quinlan age acima da lei, plantando evidências e enquadrando aqueles que considera culpados antes mesmo de ter provas concretas, já Vargas age como um verdadeiro o paladino da justiça e não poderia ser mais diligente em sua busca pela verdade.
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| Charlton Heston como Vargas, e Orson Welles como Quinlan em A Marca da Maldade |
As atitudes e aparências dos dois não poderiam ser mais distintas, mas no fundo, ambos são mais parecidos do que gostariam de admitir. Quinlan pode agir de forma ilícita e imoral, mas o faz por perseguir uma boa causa: prender criminosos que, pelo menos em sua percepção, são culpados. Marcado profundamente pela perda de sua mulher - o único homicídio que não conseguiu resolver - e por sua luta contra o alcoolismo, Quinlan é um personagem que sufoca suas fraquezas com brutalidade e autoritarismo. Vargas, por outro lado, se deixa envolver com sua investigação ao ponto de negligenciar sua própria esposa, expondo-a ao tormento de bandidos.
Quando Vargas descobre que Quinlan planta evidências para sustentar seus famosos "palpites" e incriminar quem considera culpado, ele inicia uma busca obsessiva para provar que está certo. A partir do momento em que Vargas estabelece a dúvida sobre a integridade de Quinlan, todos os casos resolvidos pelo detetive americano ficam sob suspeita.
A tênue linha entre o certo e o errado, a dúvida justificada e o ego do justiceiro; estes são temas do filme simbolizados, inclusive, pelo ato tantas vezes repetido de cruzar a fronteira.
Cinematografia do suspense - o famoso plano seqüência de abertura
A Marca da Maldade inicia com um elaborado plano seqüência com mais de dois minutos de duração, em que vemos uma bomba sendo armada e posicionada em um carro, e o trajeto do veículo até o momento da explosão. O carro avança e é detido em diversos momentos, por um guarda de transito, por pedestres que atravessam a rua e até mesmo pela passagem de um rebanho de cabras. O casal de protagonistas, Vargas (Charlton Heston) e Susan (Janet Leigh), caminha na mesma rua, ocasionalmente se aproximando ou se afastando do carro com a bomba, alheios ao perigo. A coreografia da cena, aliada ao fato de ser um plano ininterrupto, ao som ambiente e aos diálogos, cria um clima de suspense único.
Abaixo, a cena de acordo com as especificações do diretor.
A versão original do estúdio inclui os créditos de abertura, pouco som ambiente antes do diálogo entre Vargas e os policiais na fronteira, e uma música não-diegética que distrai o espectador da ação, tudo isso contribuindo para praticamente eliminar o clima de suspense da cena. Não foi à toa que Orson Welles ficou tão irritado com a interferência do estúdio em sua criação.
Abaixo, a versão editada pelo estúdio.
A Marca da Maldade possui diversos outros elementos interessantes, como a fotografia, a escolha dos ângulos de câmera e a composição da mise-en-scène. O enredo deixa a dúvida final: estava Quinlan correto em suas acusações? Cada espectador tem suas próprias conclusões.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Do Cinema para a TV
A relação
entre cinema e televisão vem se modificando e se adaptando desde que
os meios passaram a coexistir, a partir da segunda metade da década
de 1930. A princípio, os estúdios cinematográficos renegaram a
televisão, rotulando-a como uma novidade passageira, mas no fundo
tinham receio de perder seu espaço no mercado do entretenimento.
Quem gostaria de sair para ir ao cinema quando poderia ficar em casa
assistindo a programação gratuita na TV? Para combater esse
concorrente, os estúdios se recusaram a vender seus filmes para
compor as programações dos canais. Com o tempo, a mentalidade
mudou, e muitos perceberam que não apenas vender seus filmes, mas
também possuir seus próprios canais, poderia ser sua salvação.
O cinema
definitivamente não morreu com o advento da televisão, mas sua
lucratividade certamente diminuiu. Atualmente, são raros os filmes
que saem do vermelho apenas com a projeção cinematográfica; é a
vida de um filme após o circuito de cinemas que o salva da
bancarrota: DVDs, video on demand (VOD)
e exibições na televisão. A programação dos canais televisivos,
contudo, tem se tornado mais sofisticada e atraído mais público. O
equilíbrio conquistado com a cooperação está mudando
gradativamente, com a balança pendendo para a televisão e com o
cinema sofrendo sua maior ameaça desde a invenção desta.
Mudança
de padrões e de comportamento
Diversos
fatores podem ser apontados para explicar a preferência do público
pela televisão em detrimento do cinema. Aparelhos cada vez maiores e
com melhor qualidade de imagem a um menor preço contribuem, o fato
de uma entrada de cinema custar em torno de dez dólares (ou mais,
dificilmente menos), também. No Brasil ainda podemos contar com a
meia entrada estudantil, entre outros benefícios; nos Estados
Unidos, a meia entrada fica a critério do cinema, que pode ofertá-la
em apenas um dia da semana, ou definitivamente não tê-la.
Além
do custo, o “ritual” de se assistir a algo em casa é diferente
de no cinema. Em casa é possível tirar os sapatos, aumentar ou
abaixar o volume, conversar ou atender o telefone durante
programação. No entanto, o advento que revolucionou a televisão
nos últimos anos foi a possibilidade de pausar a programação e
recomeçá-la quando conveniente, como permitem alguns provedores de TV
a cabo e sistemas como Netflix, Hulu e Amazon. Estes últimos
saltaram mais um passo a frente: permitiram ao usuário escolher sua
programação a seu bel-prazer, com milhares de filmes e seriados
disponíveis sem a necessidade de se deslocar até a locadora ou
depender da programação dos canais.
A
mudança do formato, porém, não é a única responsável pela
mudança do comportamento. O conteúdo dos programas de televisão,
em especial os seriados, vem se tornando cada vez melhores e atraindo
cada vez mais fãs que, com a possibilidade de assistirem a
temporadas seguidas no Netflix, se tornam verdadeiros “viciados”.
O
ritmo rápido das séries de TV, que apesar de se arrastarem por anos,
temporada após temporada, ainda precisam apresentar em cada episódio
um enredo com inicio, meio e fim, e com momentos de virada dramática
e clímax, cativa o espectador. Enquanto um filme consiste em
aproximadamente duas horas de uma única historia que ao terminar não
permite ao espectador continuar seguindo aqueles personagens, a série
de TV apresenta em cada episódio uma historia acabada, mas que
pertence a um universo maior do que o que cabe em um filme, e que é
construído de pedaços coletados aos poucos. A série de TV precisa
cativar novamente o espectador e deixa-lo querendo mais a cada
episódio, e isso requer um esforço extra que, quando bem-feito, é
certamente apreciado.
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| Aaron Paul e Bryan Cranston em Breaking Bad, série que atingiu 10.3 milhões de espectadores em seu último episódio. |
Intercâmbio
entre Cinema e TV
Não
são apenas os usuários que estão preferindo a televisão, muitos
profissionais já renomados no cinema vem diversificando seu trabalho
para abranger também a telinha. Entre eles temos Martin Scorsese,
que é produtor de Boardwalk Empire,
além de ter dirigido um episódio da série; Robert Rodriguez, que
adaptou para a TV seu filme From Dusk Till Dawn
em formato de série, e já fala também em uma versão seriada de Sin
City; e os atores John
Malkovich, atuando em Crossbones,
Eva Green, em Penny Dreadful,
e Halle Berry, em Extant,
entre outros. Se antigamente ser um ator de televisão era
considerado um trabalho de segunda categoria, esse pensamento com
certeza está mudando.
No
entanto, em se tratando de diversificar sua área de atuação
ninguém bate Steven Spielberg. Adiantado, ele já vem empregando seu
nome a produções televisivas há mais de vinte anos, tendo
recentemente produzido The Pacific,
United States of Tara,
Smash, Falling
Skies e Under the
Dome, entre outros. O mais novo
lançamento televisivo com a marca Steven Spielberg de produção é
Red Band Society, um
drama sobre a vida de adolescentes que vivem em um hospital, com
estreia prevista para setembro nos EUA.
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| Game of Thrones: o sucesso que trouxe milhares de assinantes à HBO. |
Um
pouco de matemática financeira ajuda a explicar o crescimento da
televisão. Cada episódio de Game of Thrones,
por exemplo, custa entre $6 e $10 milhões, o que deixa o custo por
temporada na casa dos $100 milhões de dólares, o que é considerado
altíssimo em termos de televisão. O orçamento de O
Grande Gatsby (2013), de Baz
Luhrmann, foi de $105 milhões de dólares, o que para Hollywood é
considerado normal. Em se tratando de cinema, porém, ainda é preciso
acrescentar os custos com marketing e distribuição, que para um
filme desse escopo não ficam por menos de $50 milhões. Sendo assim,
para ser lucrativo, O Grande Gatsby
precisaria arrecadar mais de $150 milhões. O acordo dos estúdios
com as cadeias de cinema gira em torno dos 50%, ou seja, metade do
arrecadado em bilheteria fica para os cinemas, metade retorna para o
estúdio. Para pagar seus custos de produção, portanto, o filme
precisaria de uma bilheteria na casa dos $300 milhões. Acabou
atingindo $350, o que a grosso modo significa um retorno de $25
milhões para o estúdio, que ainda precisa distribuir esse montante
entre seus investidores.
A
HBO, por outro lado, precisa conquistar e manter assinantes. Ao
investir em uma programação de qualidade, da qual Game of
Thrones é o seriado mais
assistido, o canal conseguiu atingir a marca de 40 milhões de
clientes, que pagam cerca de $10 dólares por mês pelo serviço,
gerando um ganho mensal de $400 milhões de dólares. Custos
operacionais e de marketing à parte, o fluxo de capital é imenso.
Por
fazer parte dos canais chamados “prime cable”, a HBO é mais
exceção do que regra, mas acaba servindo para ilustrar a tendência
da produção televisiva americana: mais dinheiro investido e mais
qualidade de programação. Os canais abertos dos EUA, como a CBS,
que produz NCIS e
Under the Dome, e a
NBC, com Crossbones e
Hannibal, estão
buscando “qualidade HBO” para poderem competir com a TV a cabo.
Amazon e Netflix também tem investido na criação de conteúdo
original, priorizando o formato TV perante o formato filme.
Com
uma dificuldade cada vez maior dos estúdios em recuperarem o
dinheiro investido em filmes, e com as produtoras de televisão
mirando em uma qualidade mais cinematográfica (em cenários,
figurinos, atuação, iluminação, direção, etc), e recebendo um
alto lucro como conseqüência, a industria do cinema se vê mais
ameaçada pela televisão do que nunca.
terça-feira, 8 de julho de 2014
Comédias – temporadas 2013-2014
Fazer comédia é reconhecidamente difícil. O que é engraçado para uns não
necessariamente o é para outros, e quando agradar a um vasto publico é essencial para o sucesso, o desafio aumenta. Justamente por
isso que quando uma série nos faz dar aquela gargalhada aberta e
genuína, sabemos imediatamente que ela é preciosa. Aqui vai a meu
resumo do que foi mais precioso e vale a pena ser acompanhado (e o que vai deixar saudades) entre
novatas e veteranas nessa mais recente leva de comédias.
As que surpreenderam
Mom – 1ª temporada
Christy (Anna Faris) é uma
mãe solteira que trabalha como garçonete em um restaurante de luxo e
luta contra o alcoolismo, frequentando reuniões de grupos de apoio
para se manter sóbria. Após ter uma péssima infância graças à sua mãe também ter sido alcoólatra e viciada em drogas, Christy
decide mudar sua vida para ser um melhor exemplo a seus filhos,
Violet (Sadie Calvano) e Roscoe (Blake Garrett Rosenthal). Essa
transformação é dificultada pelo retorno de sua mãe, Bonnie
(Allison Janney), que também busca redimir seu passado.
Essa descrição parece se
encaixar mais a um drama do que a uma comedia, mas acredite, Mom foi
uma das séries que mais gerou risadas nessa temporada 2013/2014. A
dinâmica de Anna Faris e Allison Janney é afiada, e o roteiro fornece às duas um material digno de seus talentos. As piadas caem
frequentemente no humor negro. Compreensível, afinal, quando se quer
rir de assuntos como alcoolismo, câncer e cadeia, piadas leves
dificilmente acertam o alvo. Que venha a segunda temporada.
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| Allison Janney e Anna Faris interpretam mãe e filha em Mom |
Brooklyn Nine-Nine -
1ª temporada
Mais uma nova queridinha
na minha lista, que estreou já com um Globo de Ouro de melhor
comédia e de melhor ator para Andy Samberg, que estrela como o
detetive irreverente Jake Peralta. Não sei se a escolha do nome foi
intencional, mas Jake é tudo o que a expressão em português
“peralta” define. Apesar de gostar de fazer piadas e pegadinhas,
Jake é um detetive competente, um dos melhor do distrito de polícia
99, no Brooklyn. Jake tem uma aposta com a colega Amy Santiago
(Melissa Fumero) para ver qual deles consegue prender mais bandidos
ate o final do ano. Se Amy perder, tera que sair com Jake no que ele
promete que será “o pior encontro da vida dela”.
Outros destaques da série
são Terry Crews, como o Sargento Terry Jeffords, e Stephanie Beatriz
como a assustadora detetive Rosa Diaz.
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| Andy Samberg e Melissa Fumero como os detetives Peralta e Santiago. |
As que mantiveram o
pique
The Big Bang Theory –
7ª temporada
Apesar
de não ter sido unanimidade entre os críticos em sua primeira
temporada, The Big Bang Theory conquistou o coração dos fãs desde
o início, se estabelecendo nas temporadas subsequentes não somente
como um sucesso de público, mas como uma das melhores séries de
comédia dos últimos tempos. Não é surpresa que a sétima temporada
tenha mantido o padrão.
The
Big Bang Theory tem agradado tanto que a CBS, em um gesto raro dentro
do universo televisivo, se adiantou e já garantiu a renovação da
série até a décima temporada.
Modern Family - 5ª
temporada
Poucas séries são capazes
de manter sua alta qualidade com tamanha maestria quanto Modern
Family. Em sua quinta temporada, a sitcom teve como destaque o
casamento de Cameron (Eric Stonestreet) e Mitchell (Jesse Tyler
Ferguson), que pudemos acompanhar desde o estresse dos preparativos
até o dramático dia da cerimônia.
The Middle - 5ª
temporada
A família Heck passa por
grandes mudanças nesse ano em que Axl (Charlie McDermott) se muda
para a faculdade. Frankie (Patricia Heaton) precisa se adaptar a
ausência do primogênito e ao novo emprego, enquanto Mike (Neil
Flynn) continua... bem, Mike.
Essa quinta temporada foi
especialmente bem construída. Ate mesmo Sue (Eden Sher), personagem
que sempre considerei destratada por produtores e roteiristas, teve
mais momentos de crescimento e dignidade do que na maioria das
temporadas anteriores. O destaque, contudo, vai para Axl tentando
reconquistar na faculdade o lugar de macho alpha que tinha no ensino médio, e para o
épico episódio em que a família viaja para a Disney.
As que deixarão
saudades
Raising Hope – 4ª
temporada
A Fox
decidiu cancelar Raising Hope após curtas quatro temporadas. Após a
saída do criador Greg Garcia, a serie foi transferida para o horário
de sexta-feira à noite, o que na televisão americana é considerado
praticamente um suicídio. Enquanto no horário original de
terça-feira Raising Hope conseguia manter uma audiência mais do que
satisfatória, na sexta-feira à noite os índices despencaram. Isso
ajuda a entender o porquê de a série ser cancelada em seu auge.
Explica, mas não deixa os fãs menos tristes.
Nessa
temporada pudemos acompanhar as loucuras da família Chance em sua
forma mais criativa, em especial as situações envolvendo Virginia
(Martha Plimpton) e Burt (Garret Dillahunt). Tivemos
Burt criando sua própria moeda e descobrindo que ser prefeito de
Natesville não é nada fácil, Virginia foi obrigada a se dar bem com
sua prima Delilah e conseguiu uma promoção no emprego, e Jimmy e
Sabrina re-encenaram o nascimento de Hope. A quarta temporada foi, sob
vários aspectos, a melhor da série. Vai deixar saudades.
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| A família Chance se despede da TV na quarta temporada. |
Parks and Recreation –
6ª temporada
Enquanto o final de
Raising Hope foi súbito, a NBC decidiu dar a Parks and Recreation
mais uma temporada para se despedir dos fãs, ou melhor, para que os
fãs possam se despedir da série. Após um período de dúvidas, foi
anunciado que a próxima será a sétima e última temporada da sitcom
estrelada por Amy Pohler.
A sexta temporada
conquistou um raro indice de 100% de aprovação no Rotten Tomatoes,
e mostrou, entre outras situações, a gravidez de Ann (Rashida
Jones) e a luta de Leslie (Pohler) contra um recall eleitoral com o
intuito de tirá-la do cargo de conselheira da cidade. As piadas
quanto a absurdidade dos costumes de Pawnee e suas leis atrasadas, a
rivalidade com Eagleton, as aventuras empreendedoras de Tom (Aziz
Ansari) e a sabedoria máscula de Ron Swanson (Nick Offerman)
continuam geniais. E no meio da temporada, com a saída de Rashida
Jones e Rob Lowe, Retta e Jim O'Heir ganham mais espaço como Donna e Jerry. Merecido.
O último episódio revela o quão incerta era a renovação de Parks, que só foi decidida após o final da temporada. Com um
especial de uma hora digno de series finale, os produtores se
precaveram caso a série não fosse ao ar novamente. A pergunta que
fica agora é: tendo a sexta temporada terminado com um salto de três
anos no tempo e com um tom de encerramento, a partir de que ponto a sétima retomará? Os fãs de
Leslie Knope e companhia estão ansiosos para a resposta, mas essa só
vira em janeiro, já que a série agora foi escalada para a midseason,
com número de episódios ainda
não confirmado.
| Parks and Recreation se prepara para a sua sétima e última temporada. |
segunda-feira, 7 de julho de 2014
A nova temporada de Masters of Sex – e mais alguns bons dramas “de época”
Masters of Sex
foi uma das melhores séries de 2013, baseada na história real de
William Masters e Virginia Johnson, que iniciaram uma pesquisa
pioneira sobre a sexualidade humana nos Estados Unidos em 1957, época
em que o assunto era mais do que tabu. No elenco estão Michael Sheen
como Dr. Masters, e Lizzy Caplan como Virginia Johnson, o que
surpreendeu a todos que, como eu, não vinham acompanhando a carreira
a atriz e tomaram um susto ao perceber que ela foi Janis em Mean
Girls, dez anos atrás. Pois Lizzy cresceu, amadureceu, e está tão
bem no papel de Virginia que sozinha já faria a série valer a pena.
Felizmente, Masters of Sex tem outros fortes elementos em que
se apoiar, especialmente o roteiro.
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| Lizzy Caplan: acima em Mean Girls, e depois como Virginia Johnson em Masters of Sex |
Enquanto segue os
percalços da transgressora pesquisa do Dr. Masters, a série aborda
diversos temas que continuam muito atuais, dentro do ponto de vista
da época, como homossexualidade e a posição da mulher na sociedade –
como mãe solteira, trabalhadora, esposa. Os momentos dramáticos são
intensos, especialmente os protagonizados pela genial Allison Janney
e por Beau Bridges nos papéis de Margaret e Barton Scully.
Enquanto
a primeira temporada foi ao ar entre setembro e dezembro de 2013, a segunda
temporada foi adiantada pelo Showtime e estréia nesse domingo, dia 13
de Julho. Vale a pena acompanhar.
Manhattan
Também
com estréia marcada para Julho, a nova série da WGN é ambientada em
Los Alamos durante a II Guerra, onde o governo americano estabeleceu
um laboratório secreto para dar continuidade às pesquisas que viriam
a desenvolver a bomba atômica. Mais do que um laboratório, contudo,
Los Alamos se transformou em uma cidade onde viviam cerca de seis mil
pessoas, entre cientistas, suas esposas e filhos.
Tudo em Los
Alamos era altamente secreto, tanto que os cientistas não eram
autorizados a revelarem a suas esposas o conteúdo de suas pesquisas. É um teste e tanto para qualquer casamento seguir o marido para uma
cidade montada no meio do deserto, em que faltas de água e de luz
eram comuns, sem saber exatamente o motivo. E para os homens não era
menos difícil. Ter que lidar com o peso e as dúvidas morais de estar
construindo uma arma de destruição em massa sem poder contar com o
apoio das esposas não tem como ser fácil.
Entre segredos militares e a vida entediante em uma cidade no meio do nada, Manhattan promete ser uma boa mistura de ficção com realidade. Descobriremos dia 27.
Mad Men – última temporada
Mad
Men dispensa introduções. A série sobre o mundo da publicidade
estrelada por Jon Hamm chegou a sua sétima e última temporada esse
ano, ainda que dividida em duas partes. O grand finale,
sétima temporada parte II, irá ao ar somente em 2015, estendendo a
reverência final da serie ganhadora de quatro Emmys de melhor drama.
O sucesso de Mad Men com certeza impulsionou o
interesse por dramas ambientados em 1950/60, e se hoje temos Masters
of Sex e Manhattan, é em
grande parte graças à Don Draper e companhia. A série vai deixar
saudades, mas a AMC não está pronta para se despedir dos altos índices de audiência e do prestígio de sua programação de domingo à noite, e com
certeza ainda será fonte de muita coisa boa. Ficamos no aguardo.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
O Espetacular Homem-Aranha 2
Andrew Garfield e Emma Stone retornam como Peter Parker e Gwen Stacy no
Blockbuster de verão que dá seqüência
à franquia reiniciada em 2012.
Em meados de Maio a indústria
cinematográfica entra no período dos lançamentos de verão, de acordo com o
calendário dos EUA, em que os principais filmes de alto orçamento dos grandes
estúdios são lançados. O formato é o mais formulaico possível: filmes com ação,
comédia e romance na medida certa, e classificação indicativa livre para atrair
desde crianças até adolescentes e seus pais.
Seguindo esse formato, O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de
Eletro busca obter a mesma aprovação da crítica e o mesmo sucesso nas
bilheterias de seu precedente. Por enquanto, tem falhado na missão. Após uma
abertura razoável, o filme sofreu com uma queda severa de público no mercado
americano entre a primeira e segunda semana de exibição, e os números
internacionais, apesar de nada desprezíveis, não correspondem às expectativas.
A crítica também não tem sido amigável com
Peter Parker e Cia., o Rotten Tomatoes, por exemplo, calculou apenas 53%
avaliações positivas entre seus críticos gerais, contra os 73% do original. Resta
investigar se as avaliações negativas se fundamentam em avaliações técnicas, ou
gostos pessoais.
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| Andrew Garfield e Emma Stone retornam como Peter Parker e Gwen Stacy. |
Efeitos especiais e clichês
Um clichê não é algo
necessariamente ruim. Quando algo se torna clichê – seja uma cena no roteiro,
um tipo de enquadramento ou um determinado efeito especial, - significa que deu
certo mais de uma vez e que pode dar certo novamente, se bem utilizado. O
problema começa quando um roteiro se apóia tanto em clichês que a história fica
pesada e cansativa.
Os problemas de roteiro são denunciados
logo no início do filme. Após uma seqüência de ação que revela os últimos
momentos do desaparecido casal Parker - e em que Richard Parker (Campbell
Scott) se mostra mais próximo de um Rambo do que de um cientista -, encontramos
Peter como Homem-Aranha perseguindo bandidos pelas ruas de Nova Iorque. Ouve-se
o rádio da polícia, que informa que os bandidos estão tentando roubar uma carga
de plutônio radioativo. Está armado o terreno para o primeiro grande deslize do
roteiro. Ao abrirem o compartimento onde estão armazenadas dezenas de cápsulas
do tal plutônio radioativo, os bandidos (e consequentemente a platéia) são
alertados por uma voz feminina vinda da máquina de que “o plutônio radioativo é
altamente explosivo”. É evidente que as múltiplas cápsulas explosivas se
transformarão em um desafio para o nosso herói, mas essa não é a questão. A
questão é que uma das regras básicas de um bom roteiro é que tudo o que puder
ser mostrado, ao invés de narrado, é mais eficiente, e a dupla informação,
tanto o rádio da polícia quanto a voz do controle de segurança, acabam sendo
cansativas e supérfluas.
A conclusão da cena não melhora a
situação. Aparentemente, todas as viaturas da polícia estão em perseguição aos
bandidos, e quando os primeiros da fila freiam, os que vêm atrás batem uns nos
outros, ou seja, mais um clichê que já perdeu a graça. Estes são apenas alguns
detalhes que denunciam um roteiro que não fornece um desenvolvimento
satisfatório tanto para os dois vilões, Eletro (Jamie Foxx) e Duende Verde
(Dane DeHaan), quanto para os heróis. Tia May (Sally Field), coitada, parece
que foi jogada no filme de qualquer jeito somente para cumprir tabela.
Os efeitos especiais do filme são
incríveis, mas é decepcionante que não haja um equilíbrio entre empolgantes cenas
de ação e um bom roteiro, como outros filmes de super-heróis já conseguiram
alcançar, mas esse Homem-Aranha
deixou – e muito – a desejar.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Relembrando: O Espetacular Homem-Aranha
Uma nova história para Peter Parker
A primeira trilogia
cinematográfica do Homem-Aranha terminou há apenas cinco anos, mas a história
da transformação do tímido nerd Peter
Parker em super-herói já está de volta aos cinemas em um uma nova versão.
Estrelando Andrew Garfield no papel principal, O Espetacular Homem-Aranha (2012) é um
reboot totalmente independente da primeira série.
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| Andrew Garfield como Peter Parker |
Trazendo um enredo diferenciado
para o super -herói, o filme mostra uma vez mais como Peter adquire
super-poderes por meio da picada de uma aranha geneticamente modificada. Dessa
vez, a história de como o garoto foi deixado aos cuidados dos bondosos Tio Ben
(Martin Sheen) e Tia May (Sally Field) é mais elaborada, envolvendo o desaparecimento
misterioso de seus pais. É revelado que Richard Parker (Campbell Scott) era um
renomado cientista que trabalhava em um projeto de cruzamento genético entre
diferentes espécies. Ameaçado não se sabe por quem, ele e sua esposa são
obrigados a fugir e a deixar o filho para trás.
Após uma introdução que conta toda essa
história, o filme nos leva a conhecer o adolescente Peter Parker (Andrew
Garfield) tentando “sobreviver” ao ensino médio. Tímido e um pouco desajeitado,
Peter tem sua vida transformada ao visitar os laboratórios da Oscorp e ser
picado por uma aranha geneticamente modificada.
Enquanto descobre suas novas
habilidades especiais, Peter também encontra novas evidências que ajudam a
esclarecer mais uma parte do misterioso desaparecimento de seus pais, precisa
enfrentar a trágica morte do Tio Bem e derrotar o novo terror que ameaça Nova
Iorque.
Nada de Mary Jane
A namorada de Peter dessa vez é a
inteligente Gwen Stacy (Emma Stone). Na história em quadrinhos original, Gwen
foi o primeiro grande amor do Homem-Aranha. Ela aparece no filme como nas
revistinhas: aspirante a cientista e filha do Capitão de Polícia George Stacy
(Denis Leary).
A opção por recontar a história
do homem-aranha com um enredo mais próximo à história em quadrinhos original é
interessante, mas com certeza gera um frio na barriga dos fãs quando o assunto
é o destino de Gwen.
O herói mais humano da Marvel
O Homem-Aranha é, sem dúvida, o
super-herói mais “humano” da Marvel. Marcado pelo desaparecimento de seus pais
e, ainda mais profundamente, talvez, pela morte de seu tio Ben, o rapaz sofre
uma dura passagem da adolescência à maturidade. Seus super-poderes são, ao mesmo
tempo, uma benção e uma maldição, e ele é constantemente atormentado pelo dilema
entre fazer o bem e viver uma vida normal.
Equilibrando cenas de ação
emocionantes, comédia, romance e drama, o novo Homem Aranha representa habilmente a personalidade ao mesmo tempo
sagaz e atormentada de Peter Parker.
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